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Que perda da dignidade!!! meu teclado nao tem cedilha nem acento, desculpa ae...
Ah, Terezinha nao escreve mais aqui, ela ta de casa nova. Realidade nao menos anormal ou visceral.
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Faço desse um rascunho, um rabisco, nao uso o Word para requentar essas palavras, vai tudo assim mesmo, de uma vez só, rápido, quase indolor, um tiro a queima roupa. Namorada despede do namorado no portao e leva consigo dez perguntas sem respostas e um dia "em que tudo é poesia". Pontuaçoes, vírgulas, pouco uso dos acentos. Tudo numa frase atirada no papel sem esperança de volta ao dicionário. Grandes sonhos paridos, uns abortados. O que adianta a concentraçao se nao existe o ruído? Um beijo, um jazz, aquela frase espetacular de um filme meia boca. Igual a brincadeira do saco dos poetas dadaístas, vale quanto pesam as palavras, vale o concreto, a tentativa do caos, o ser quase, qualquer coisa que valha. Esse vai para desenganar o cerebro da tentativa de parir qualquer coisa que preste, já me persegue a pluma, e eu correndo, e a pluma atrás de mim, ah esse ruído, essa estranheza, essa troca de palavras em vão. Essa leveza que nem eu entendo, que quase nao suporto, que bem que podia durar, pra que esse seja esse suspiro, essa pequeneza, esse único tiro, que sempre volta contra mim, que sempre me faz passar a limpo. Nao. Dessa vez é isso aqui mesmo. Uma última tentativa, e esse eu-lírico desfigurado lutando para ser alguma coisa que o valha. E um ponto que nao signifique exatamente um ponto.
Catarina gostava de abrir antigas cartas de amor, gostava de soprar a poeira das fotografias, espirrava e enchia os olhos de água. Revisitava seu passado como se revisita um livro. Lia tudo como se fosse a primeira vez. Trazia as asas que nunca ecoaram tão longe. Andava pelos corredores da casa e contava decepções. Uma a uma. Fazia isso como as crianças fazem com as conchas que acham na praia.
Catarina vivia os dias ímpares, para os pares a tristeza estava reservada. Vivia desacompanhada e bem vestida. Adorava fazer supermercado, estrear aquela receita de fricassê que sua mãe tinha lhe ensinado. Lia em poesia dos outros a sua própria. Para os dias de tristeza, preparava chá de camomila, um bom drama americano e lenços de papel. Mas ai de quem visse nela uma criatura jogada as traças, oca, infeliz. Não. Ela dizia: "A resposta da felicidade está em conviver com a dor oposta a ela". E isso ela sabia, ela tratava da própria dor. Catarina era feliz. Ela e suas memórias.
Catarina era livre. Viajava pra Europa, trazia lembrancinhas para os amigos, conhecia pessoas e colocava mais um tanto de tempo em caixas. E o guardava para mais tarde. Vivia para alimentar o passado, nao via mal nisso nem nas más interpretaçoes dos clássicos. Para ela, Capitu tinha sim traído Bentinho. E nao se importava do contrário. Era uma romântica. Queria manter relacionamentos a distância, mas eles nao conseguiam. Por ela trocaria cartas a vida inteira. Aquelas de amor, tuberculose e boêmia.
Até que um dia Catarina topou o presente, ele vinha com flores e caixas de chocolate. E ele vinha pra ficar em sua cama, no seu banheiro, trazia tambem algumas caixas pra pendurar com as dela. Ele batia à porta.
Catarina negou tudo, fechou a porta na cara dele, abriu a caixa do ano de 1999 e lá ficou, por muito tempo... Era um dia par, aquele. Catarina foi feliz.

O que te atrai? Qual o sinal que faz você perceber que alguém está parado, a espera, com espelhos sob o teto? O que te comove? Como saber que você foi o melhor para alguém, como saber que você errou, perdoou, se desfez, se reconstruiu, catou os cacos e viu sua imagem de novo no pedaço do refletor? O que te comove? O que te faz ir embora sempre? O que te faz voltar sempre? O que você gostaria que acontecesse nos próximos cinco minutos? O quanto você já leu desse livro? As tais vinte páginas? O quanto você precisa para me reconhecer de novo? Você precisa do diamante de mil faces no meu olhar, das borboletas no estômago? Você sabe... diamantes são pra sempre, as borboletas morrem, mas deixam o porvir, o que seria delas se não fosse sua própria metáfora de transformação e novidade? Então, meu querido, elas ainda estão aqui. A impressão, o espelho, entre a jornada e a data de validade. Qual o conforto dos seus dias? Qual o coração que você quer na sua cama? Apenas o seu? Você precisa do que mais? De mais um blefe? De mais uma história mal educada para nos perturbar o sono, ou a hora do jantar? Você precisa do caos? O que te atrai? O que te comove? O leve ou o pesado? A meia debaixo da cama escondendo o momento de insanidade? O chapéu côco seduzindo o momento de espera? Quanto você quer pagar? Quanto você vai colher? Qual o final que te interessa? Você quer quais palavras nessa hora? “Estou muito feliz”? Ou “the end”? Qual te aproxima da chegada? O eterno retorno?
Imagem por: Helena [Frazey]

Não existe argumento, ou declaração registrada que possa explicar porque acontece.
Mas isso não tem relevância nenhuma, já que o que intriga mesmo é a reação do público envolvido. São meninas prendadas, sabem das coisas da vida, esperam casar de véu e grinalda, esperam, esperam, esperam... Mas na hora do vamos ver, não sobra pra ninguém, é uma debruçando no ombro da outra, caindo juntas, comprando lingeries juntas. Acontece que para essas meninas, o inesperado pode acontecer. E acontece na maioria das vezes. É o cafajeste em série, daqueles do sopão de centro espírita. Se colocar uns três envolvidos, depois que amolece a gente não sabe quem é quem. Tem o amigo que vira mais que amigo, e a gente decide se vai ou se fica. Tem os que fazem o caminho contrário a esse, e que a gente pode sempre desabafar, trocar fofocas. Tem aquele de sempre, e uns tantos pra trocar olhares. Mas as meninas estão sempre lá. A espreita, na ciranda da noite, no desprendimento do dia, com telefonemas, café as 16, sorvete aos domingos. Ninguém sabe o porquê. Mas no fim da noite são elas que precisam do cuidado dos desinibidos, ou são elas que botam todos pra correr, e ficam despedaçadas um do lado da outra. Naquele momento em que todo mundo fica mudo, pasmo, e a gente sela mais um fragmento de nós, a gente paga pra ver, a gente blefa, a gente sela... mais uma proposta de ilusão catada no escuro.
E há controvérsias...