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Terra Blog

Arquivo de: Março 2008, 19

19.03.08

Eu, hemorragia.




Primeiro, era a Terezinha....

Eu passeava distraída, com um copo meio cheio nas mãos. São nas distrações que as coisas ao sublimarem o fantástico, acontecem. Meu grande amor, parado ali, bem na minha frente. Sabe quando aquela pessoa sorri pra você, e sem querer acreditar que aquilo é contigo, você olha pra trás? Só pra ter certeza de que não está acontecendo com você. E aquele gesto faz você ser, por segundos, mais patética do que realmente é? Pois então... Foi assim. Corri por muito tempo atrás daquele sorriso. “Aceita um halls?”, E aí meu bem? O que você faria se só restasse esse dia? Ele foi minha primeira folha em branco, o primeiro a ficar pálido comigo. Os primeiros pés debaixo das cobertas. Eu fui, seu primeiro tombo, sua primeira Vênus de Milo, o primeiro blefe, a dor da qual ele contava, e exagerava, não cabia a mim entender. Não coube. E ele se foi. Por mero descuido do destino. Tentei trazer ele de volta. Mas... ah o destino. Hoje em dia ele ainda me assombra. Vem sorrateiro, em sonhos. Minha vida se divide. E são eles que separam o joio do trigo. Todos eles. O segundo me deu vida. Me deu meu fruto. Soubemos do amor carnal, do pão amassado de manhã. O real, os gestos,as provas de amor bem na nossa cara. E a gente sorrindo pra elas, e brincando com elas. Até que me faltou o sentido, nos faltou garra, e eu faltei... Fui embora. Com a cruz nas costas e com flores que teimavam em nascer sob meus pés. O terceiro e o último, esse que marca a margem dos meus dias, veio apenas. Chegou de mansinho. Outra distração minha e... Com o coração e pernas largas, me abocanhou. Mastigou e engoliu. Quis cuspir, conteve-se. Jogou fora apenas.

... E assim minha vida não divide mais. Caí no vazio, me coube algum espaço, para que as veias se abrissem, e explodissem. Agora, sou sangue escorrendo por entre as pedras, as que ficam pelo caminho, as que correm rio abaixo. Eu sou hemorragia que não estanca. Espalhada por entre corações que pulsam, que param. Entre o seu. Eu sou o gozo da sua dor. Você não percebe a minha? Você ainda não percebe?


Escuta... drop drop drop...
Sou eu pingando, por aí. Colorindo o pé de amora, outra vez.


Imagem de: Asas do desejo de Wim Wenders

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  • Postado em 15:29:29