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Terra Blog

Arquivo de: Março 2008, 26

26.03.08

O anti-cafajeste

Obrigada por essa. Vamos lá. Um texto bem didático para mulherzinhas carente patológicas, assim como eu, claro. O anti-cafajeste existe. Ele está por aí. Em bares, teatros, shows de jazz e festas folclóricas. Ele te oferece um drink, você aceita. Ele te convida para a festa, você vai. Ele te chama para a vida dele, e você já está lá há muito tempo, por sua conta e risco. O anti-cafajeste sobrevive de jornadas. E você é uma delas. Pode durar um dia, um mês, ou um ano. Eu, particularmente, presenciei um ano, depois disso, ele se auto-desintegrou e virou pó. O anti-cafajeste percorre pelos seus sentidos, seu tesão, suas fraquezas. Ele vai aprender muito com você. Basta você falar! Mas não se esqueça, e isso é de extrema importância, ele vai voltar para o lugar que lhe cabe. Pode ser esse, a luz, ou o chão. O anti-cafajeste é atemporal. Você pode ter com ele apenas horas, mas esse será um tempo contado em minutos interplanetários, será quase uma fração de eternidade. A maior angústia deles é não saber lidar com o fim, o tudo e o nada que estão sempre propondo. A volta do filho pródigo é algo que lhes é familiar, como um ninho, um útero. Eles estão sempre prontos pra voltar. E voltam para casa. A casa de si mesmos. O dever sempre lhes chamam para trás. E eles continuam, atrás de outra grande jornada, com cerveja, intelecto, galanteios, “mix-tapes”, tudo porque você parou na frente e fez pose. Ali, bem do lado deles, eles enxergam, mais uma viagem. Eles costumam ter uma memória seletiva incrível, por isso nunca vão se lembrar que deixam muito para trás. Pelo caminho de tijolos amarelos pelo qual passaram. E nós? O que fazemos? Sim, guardamos os resquícios. Uma garrafa de vinho vazia, músicas escolhidas, livros, bilhetes, fotos. Não, não estou pedindo pra tomarem cuidado com eles. Pelo contrário, torço para que os encontre querida, porque você irá viver intensamente, desde a primeira risada frenética até o último sal da última lágrima. Vai valer a pena. E depois compartilhe sua história comigo? Numa mesa de bar? Com bastante cerveja e cigarros? Para que possamos morrer de rir, juntas? Te espero hein.

 

Na imagem: Paul Newman e ponto.

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  • Postado em 14:31:38