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E entraram na casa. Viram quadros, tudo muito familiar e distante. Ela foi sorrindo, ele sem acreditar na possibilidade. As paredes eram as únicas testemunhas do que seria aquele sexo ao descaso. Ela teimava em se entregar, a despeito daqueles óculos escuros que escondiam os seus olhos. Ela não queria revelar a alma. Ele queria comida. Comida pronta e que satisfaz.. E o cheiro daquele lugar, o cheiro dela. Tudo era muito fácil e árduo. Porque ter tudo aquilo parecia tão pacificador? E aquelas paredes vieram chão abaixo. O disco do Buena Vista entregou os pontos. Não estavam mais lá, naquele lugar que era pra ele tão insólito e para ela tão comum. Estavam numa praia talvez. Em Cuba. Sob o sol o giro do mundo. Nas mãos dele, os seios mais iluminados que ele já vira. Na boca dela o sal dos dois. Sob seus pés a terra que abriga. Ele sabia que estava acabando. Ela apenas quis que durasse. E sentiu que a vida era aquilo ali. Mais nada além. Ela precisava lembrar que era a hora do fim. Botou os óculos num ato desesperado de esconder a alma. Vestiu a roupa. E ele como pagamento deixou a cor da sua pele na dela. Era apenas quatro da tarde, mas pareceu que não existia ponteiros no relógio.
Imagem: Olhares.com