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Estavam sentados na pracinha, se olharam. Ela só estava ali por causa da maça do amor. Ele queria comer outra coisa. Comprou um algodão doce pra ela. Por que ele nunca adivinhava seus pensamentos? Ele se interessava por ela, a amava. Queria casar com ela. Mas por que não conseguia manter os olhos nela? Ela sabia de tudo, de todas. Sabia mais do que queria saber, guardava pra si que o cavalo dele corria por outros campos e que sua liberdade o impedia de ser diferente. Ele sempre desviava o olhar quando uma outra saia passava perto. E ali o algodão doce. Daquele cor de rosa que dói de tão rosa que é. Ela sorriu e ele afirmou ter de sair por alguns minutos. Sabia que ela esperaria. Sempre esperava. Ele nem se certificou se tinha mais alguém. Era o caubói, e suas ações falavam por si. Era o menino bonito que chamava a atenção, que tinha o que queria. Ele sabia como andar. Tinha a postura dos malandros de berço, e o sorriso que derretia olhares. A cidade era pequena pra ele. E para tanto, ele sempre estaria procurando algo em cada esquina. A deixou por instantes, foi ao encontro da segunda. Ela num vestido vermelho, e os olhos dele naquele azul. Que entorpecia. Essa era o seu juízo final. E ele morria de amor, sempre. Os encontros atrás daquelas arvores e o cheiro do perfume que sempre ficava no seu vestido, e os filmes, em recortes, pareciam ser protagonizados pelos dois. Ele prometia, tinham planos, e não contratos passados em papéis de pão. Ela se perdia nas músicas de outras décadas. E ele sempre voltava pra casa. Onde a primeira sempre esperava com flores no cabelo e coração na mão. Ele amava a doçura dela, a doçura do perfume. Ele amava a acidez do perfume da outra também. E escolher entre as duas era árduo. Uma era o reflexo da outra. Era a outra do avesso. Compartilhavam da mesma inocência no olhar, da mesma sacanagem entre as pernas, de palavras jogadas em papéis e rios. E então, ele optou. Entregou às duas aquelas alianças invisíveis – com pedrinhas vermelhas – das que vinham com a maria mole, e disse que o coração dele seria sempre delas. E escolheu não escolher. Havia mais roda-gigantes na cabeça dele do que no parque de diversão, aonde ele propunha um terceiro encontro. E ele foi. Os cabelos dela cintilavam ao vento com as luzes coloridas do parque. Aquele sorriso branco de menina que ainda guardava as bonecas transparecia não muito mais que um desejo infantil do vestido branco e dos filhos pequenos em casa. Os filhos que ele não queria ter... E longe de cores e fragrâncias que antes o confundiam, longe dos caleidoscópios e faber castéis de 48 cores, ele escolheu o branco. E no branco se perdeu. Perdeu sua essência. O chapéu e o cavalo. E na colcha por fazer, ela nunca vai descobrir o que ele esconde e nega. Ele consegue a paz inquietante dos fracos, colocando-se num lugar que não é dele. Vendo a vida passar de forma enfadonha com cafés-da-manhã de comerciais televisivos. E no rosto dele mais uma máscara comum, mas um blefe indecente. Mais uma história mal contada.
Ele se perde do homem que era, do que viria a ser e que nunca descobrirá. O fantasma das cores o arrasta pra morte e a ultima coisa que ele sente antes do sangue escorrendo pela nuca é a fragrância agridoce das duas.
"A noiva do caubói era voce além das outras três"
Escrito por duas mãos, duas cabeças e o mesmo sangue nas veias. E sim, é ficção mas a sensaçao é de verdade, e dói e lava ao mesmo tempo.