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Leve enquanto sujo esse chão que voce pisa. Alfineta seu egocentrismo como a um vodoo esquecido sob a mesa. Desce. Passa. Desce desse pedestal que você custou a subir. Mata sua ignorância na sede da sua volúpia. Crucifica suas mãos. Sufoca a mente em livros de auto-ajuda. Me veja ao longe, como a uma boneca estragada. Nao brinque. Joga fora, dê aos pobres. Corra. Mas corra rápido pra consciência nao te pegar. Viva de dejetos humanos sobre a cama. De fantasmas em cima do chuveiro a ecoar lembranças vivas. Chore por entre os cds do seu armário. Esmague logo essa taturana dentro do peito. Mata com água. Corta os calcanhares de aquiles. Nao esconda o ponto fraco que te pertence. Não há pernas que suporte o pouco, quando ja se conheceu um coraçao inteiro. Vá depressa. Não olhe para trás. Convida ela logo pra jantar. Faça seu melhor souflê. Não há luz que suporte a Quinta de Beethoven. Que a sujeira desses atos nao provoque náusea e culpa. Um dia nao haverá poeira pra contar história, nem a vasilha que segurou o jantar, nem a vela que queimou rápido demais para que houvesse tanto brilho no olhar. Sobra Edith Piaf na minha cabeça. "Varridos todos os amores" pra debaixo do tapete.