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Não existe argumento, ou declaração registrada que possa explicar porque acontece.
Mas isso não tem relevância nenhuma, já que o que intriga mesmo é a reação do público envolvido. São meninas prendadas, sabem das coisas da vida, esperam casar de véu e grinalda, esperam, esperam, esperam... Mas na hora do vamos ver, não sobra pra ninguém, é uma debruçando no ombro da outra, caindo juntas, comprando lingeries juntas. Acontece que para essas meninas, o inesperado pode acontecer. E acontece na maioria das vezes. É o cafajeste em série, daqueles do sopão de centro espírita. Se colocar uns três envolvidos, depois que amolece a gente não sabe quem é quem. Tem o amigo que vira mais que amigo, e a gente decide se vai ou se fica. Tem os que fazem o caminho contrário a esse, e que a gente pode sempre desabafar, trocar fofocas. Tem aquele de sempre, e uns tantos pra trocar olhares. Mas as meninas estão sempre lá. A espreita, na ciranda da noite, no desprendimento do dia, com telefonemas, café as 16, sorvete aos domingos. Ninguém sabe o porquê. Mas no fim da noite são elas que precisam do cuidado dos desinibidos, ou são elas que botam todos pra correr, e ficam despedaçadas um do lado da outra. Naquele momento em que todo mundo fica mudo, pasmo, e a gente sela mais um fragmento de nós, a gente paga pra ver, a gente blefa, a gente sela... mais uma proposta de ilusão catada no escuro.
E há controvérsias...