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Terra Blog

Arquivo de: Junho 2008

27.06.08

O tiro que sai pela culatra

Faço desse um rascunho, um rabisco, nao uso o Word para requentar essas palavras, vai tudo assim mesmo, de uma vez só, rápido, quase indolor, um tiro a queima roupa. Namorada despede do namorado no portao e leva consigo dez perguntas sem respostas e um dia "em que tudo é poesia". Pontuaçoes, vírgulas, pouco uso dos acentos. Tudo numa frase atirada no papel sem esperança de volta ao dicionário. Grandes sonhos paridos, uns abortados. O que adianta a concentraçao se nao existe o ruído? Um beijo, um jazz, aquela frase espetacular de um filme meia boca. Igual a brincadeira do saco dos poetas dadaístas, vale quanto pesam as palavras, vale o concreto, a tentativa do caos, o ser quase, qualquer coisa que valha. Esse vai para desenganar o cerebro da tentativa de parir qualquer coisa que preste, já me persegue a pluma, e eu correndo, e a pluma atrás de mim, ah esse ruído, essa estranheza, essa troca de palavras em vão. Essa leveza que nem eu entendo, que quase nao suporto, que bem que podia durar, pra que esse seja esse suspiro, essa pequeneza, esse único tiro, que sempre volta contra mim, que sempre me faz passar a limpo. Nao. Dessa vez é isso aqui mesmo. Uma última tentativa, e esse eu-lírico desfigurado lutando para ser alguma coisa que o valha. E um ponto que nao signifique exatamente um ponto.

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  • Postado em 12:02:57