<  Abril 2008  >
S T Q Q S S D
  1 2 3 4 5 6
7 8 9 10 11 12 13
14 15 16 17 18 19 20
21 22 23 24 25 26 27
28 29 30        
Buscar
Receba os posts
Terra Blog

Arquivo de: Abril 2008

14.04.08

Joguinhos mimados

E a guerra diária dos sexos continua. O triste é quando a gente tem que conquistar todo o território do tabuleiro, ou quando temos que destruír metade. Éjogo perdido na certa.

Aqui mais uma conversa virtual, polêmica e sem nenhum intuito esclarecedor. Mas instrui hein.

 

Amigo... diz:
Ai ela começou a dizer umas coisas tipo...
Amigo... diz:
Eu quero que vc seja muito feliz...
Amigo diz:
De verdade... eu quero que vc seja muito feliz, e tal...
Amigo... diz:
ai eu falei: Meu para de falar isso. QUe merda!
Amigo... diz:
Ela conitnuou..
Amigo...diz:
ai eu:
Amigo... diz:
Garota vai tomar no cú!

Rafaella. diz:
eu aprendo tanto com meus amigos

Amigo...diz:
MAs é foda...
Rafaella. diz:
logico q eh
Rafaella. diz:
mas olha
Rafaella. diz:
xuxu dando em muro
Rafaella. diz:
e mulher carente
Rafaella. diz:
é o que mais tem
Rafaella. diz:
de tres
Rafaella. diz:
duas sao
Rafaella. diz:
agora pensa nas suas probabilidades futuras

Amigo..diz:
Tipo, eu não queria fazer isso... foi bom pra eu aprender que isso é uma chatice. TIpo.. eu nunca faria isso de
Amigo... diz:
fazer joguinho.
Amigo diz:
Agora então... menos ainda.
Rafaella. diz:
nossa
Rafaella. diz:
mas isso nao foi joguinho
Rafaella. diz:
de tipo par ou impar

Rafaella. diz:
foi quase um War
Rafaella. diz:
que a gente fica horas em cima do tabuleiro

Rafaella. diz:
pra no fim acertar o tabuleiro na parede
Rafaella. diz:
hiauhiahiuahauhiah

Amigo... diz:
foi um jogo de war muito doido que alguem pgou os dados e jogou no meio do tabuleiro
Amigo diz... diz:
voando peças para todos os lados!
Amigo diz:
kkkkkkkk

Rafaella. diz:
é foi. exatamente isso...

 

A conversa postada foi grande porque vcs sabem né? Muitos pinos no tabuleiro, muitos jogadores, e uma falta de sorte desgraçada.


 







 


 

 

 

 

  • criado por  lust_for_life criado por lust_for_life
  • Postado em 16:50:04

10.04.08

Elena, a obsessiva-compulsiva

 

Elena tinha manias estranhas. De todas era a mais fechada. Se fechava em seu quarto e aguardava o juízo final. Por trás dos óculos de grau a euforia. Gostava de guardar as meias por ordem de cor, um ritmo que só ela sabia. Ninguém mexia nos seus cds, nem nas suas fotografias. Não saía do banheiro sem antes acender e apagar a luz duas vezes. Guardava em segredo manias mais hostis. Tinha taras obsessivas também.

Gostava de homens com cicatrizes. Se tinha cicatriz de lábio leporino então, Elena ía as nuvens. Não se concentrava bem no sexo enquanto não terminava de procurar no corpo dele qualquer vestígio de cicatriz.

Elena não era de muitos amigos, mas gostava de reunir sua turma para um copo de vinho toda primeira quinta feira do mês. Não acreditava em terapia. E quem sou para não acreditar em Elena.

Elena conheceu Marina em uma de suas idas raras ao teatro. Detestava quem mascasse chiclete perto dela, e Marina realmente perturbou Elena com aquilo. E foi aquele o primeiro encontro de uma amizade de sangue. Saíram algumas vezes, Marina às vezes não suportava a melancolia de Elena, e vice e versa. Se afastavam vez ou outra, da maneira como se afasta de um espelho quando se vê uma espinha no nariz.

Elena gostava de escutar Marina com suas histórias verossímeis e sem nenhum apelo intelectual. Marina fazia Elena viajar por lugares quando Marina os citava, via os filmes que vinham da cabeça e mente de Marina.

Elena só não gostava de escutar sobre Josivaldo. Marina destruía o dia de Elena quando ela vinha com aquelas historias hediondas e pervertidas.

Sim, as duas se amavam. De uma amizade de berço, de fofocas contadas as três da manha, de cafés para escutar os dramas rotineiros. Tinham pactos de não ter homens em comum. Os xingava vez ou outra.

Na cabeça das duas pensamentos secretos. Não, não. Gostavam demais de homem para isso. E o buraco, como sempre, é mais embaixo.

 

Imagem: Jason Jenkins

  • criado por  lust_for_life criado por lust_for_life
  • Postado em 18:13:31

09.04.08

Rosa, a freira

Sentada sozinha no metrô vazio, naquela cidade enorme, ela lembrou dos filmes que a acompanhavam em sua insônia. no Corujão. Aquelas luzes trespassando seu rosto, o barulho esganiçado do metrô parando, e a cena daquele filme. Rebecca de Mornay nunca esteve tão linda. Aquele aperto constante das pernas, quando algum pensamento hostil ou sacana invadia a mente e provocava o orgasmo. Rosa nunca soube, mas ela pertencia a ínfima parcela de mulheres que conseguia o maldito orgasmo múltiplo. Para os dela, às vezes, bastava um aperto de mão molhado.

Rosa sempre se sentiu protagonista daquela cantiga de roda. Sempre se punha a chorar. Sempre lhe faziam chorar. Sempre saia estropiada de seus encontros. Os pseudo-romances de portão. E o tremor indecente, as mãos brancas e frias, o calafrio.

Tinha em seus dedos, contados, um por um, todos os fracassos vividos. O de não tocar mais flauta, o de não ter ido a Paris, de não saber cantar direito, de não ter terminado o curso de inglês. Mas o que perturbava mesmo a mente de Rosa era a falta que um carinho na nuca lhe fazia. Como uma lembrança antiga de seu pai avisando que ia sair para comprar o leite, e nunca mais voltar.

Rosa tinha pouca idade ainda e resolveu que queria casar. Casou com um nômade, de profissão duvidosa, e maus hábitos. Pervertido, mulherengo, maconheiro. Não. Rosa não casou direito. E num belo dia, de boas nuvens no céu, ao esfregar aquela maldita cueca no tanque, Rosa fez as malas, não pegou nada na casa, apenas o retrato dela e de suas boas amigas. Voltou pra casa.

Rosa voltou e fez viagens astrais pela cidade que morava. Namorou quem queria, tinha época que gostava de colecionar namorados, lhe falaram que era boa de cama e ela acreditou. E foi assim, entre um show de rock e outro, entre um bar e outro com as amigas que ela o encontrou, na pista de dança. Num movimento frenético e com um copo de cerveja na mão.

Existem homens que a comiam com os olhos, esse a comia com o sorriso. Do sorriso que Rosa viu pela primeira vez aos diamantes que brotavam de seus olhos. E por entre suas pernas o orgasmo vivo. E ela se mostrou para ele, com unhas e dentes. Foi tão leve, mostrou o que sabia do mundo, nada além de algumas citações de Roberto Freire, ou alguns filmes de Bertolucci. Mas ele se encantava, e ela deixava. Não se negaram em nada, nem naquele sentimento pueril e nem nos melhores orgasmos da vida de Rosa. Mas a realidade costuma ser cruel para mulheres como ela. E ele disse num dia muito comum e ordinário. Teria que ir embora. Ele não era mesquinho, esse não era nenhum fora tolo que Rosa estava acostumada. Ele realmente tinha que ir embora. Morar longe de Rosa.

Passou o carnaval na vida de Rosa, a cena de Grease a acompanhava. Amor de verão, sabe? Amor de verão atravessa continente? Rosa não sabia de mais nada. Na cabeça dela só a encenação da despedida -á la casablanca- e a carta que ele nunca vai ler.

Hoje, Rosa passa os dias vendo novela e fazendo tricô. Aprendeu a costurar, a fazer bolo de cenoura, parou de beber. De sair. Hora ou outra o consolo vem em pequenos goles do tal licor. Não sabe o que fazer com tantos calafrios, mas aprendeu a rezar. E viu que conversar com Deus dá aquela sensação na nuca. E que Jesus nunca vai lhe faltar, ou viajar. Por isso hoje, Rosa usa silícios quando os calafrios voltam e cuida da ala das enterradas-vivas num convento perto de Jaboticabal. Lá ela reza e ensina a rezar. Se comove com a história de três garotas perdidas e pensa que um dia bem que poderia compartilhar sua história com elas.

Amém
  • criado por  lust_for_life criado por lust_for_life
  • Postado em 17:21:22

08.04.08

Esquisitisses

O André, é um dos meus amigos mais proféticos, como um mestre dos magos de Campinas, ele some e vezes ou outra ele aparece, só para soltar as verdades da vida, e ele solta hein. Isso foi eu contado sobre minhas ultimas aquisiçoes amorosas.

André Vilela diz:
Hauhauha
André Vilela diz:
Para-raio de maluco
André Vilela diz:
Abre uma igreja que você fica rica
André Vilela diz:
Maluco adora seita

HAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHHAHAHAH

Vamo pro inferno comigo, Dé??

  • criado por  lust_for_life criado por lust_for_life
  • Postado em 16:54:33

Marina, a sadomasoquista.

Marina aprendeu cedo sobre as sacanagens da vida. Tinha onze anos quando brincou de salada mista com os amiguinhos e aprendeu o quão cruel as mulheres podem ser perante aos homens em comum a elas. Anne Sue gostava de Netinho, sempre oferecia o ultimo pedaço de sorvete de chocolate para ele, Marina também gostava de Netinho, mas não sabia nem tomar o sorvete perto dele. Netinho estava mais interessado em brincar de comandos em ação. Mas adorava a salada mista. E Marina levou sua primeira lição. Homens não são confiáveis, e mulheres são cruéis.

E no uni duni tê salamê minguê a escolhida foi Marina. Nessa, Netinho cedeu a vez para o amigo, que não contou nada para Marina, aonde Anne Sue não fez questão nenhuma de avisar a pobre que iria levar um beijo de quem não queria, nem suportava. E foi assim.


O primeiro beijo ninguém esquece. E Marina, depois de saladas mistas em que frutas serviam para bem mais coisas do que dar sentido a música da brincadeira cresceu com tendências passivo-agressivas, encontrou conforto nas noites mal dormidas, no sexo libertino, nutriu um enorme prazer em dar e receber a dor.

E foi de porteira em porteira que ela encontrou seu algoz. Como uma ovelha a ser contada, mais uma para o rebanho. Ela viu nele seu salvador. Josivaldo. Técnico de TV a Cabo. Um homem comum, grande, tinha orgulho de sua profissão. Amava o que fazia, encontrava muitas pessoas interessantes no seu caminho. Sabia das dores do mundo, e contribuía com elas. Gostava muito de mulher, não tinha muitas ambições em encontrar a mulher certa, pra ele, viver na liberdade da ignorância era a resposta divina para todos os seus pecados, viver e sofrer era se redimir de todo ato falho que cometia ou que poderia vir a cometer.

Encontrou a paz em Marina. Nela ele não precisava pensar, não precisava tolerar o mundo. O aceitava da maneira que ele chegava, iluminava. Marina nunca enxergou nenhum clarão na vida. Viveu de tropeços e rasteiras. Preferiu nunca ter lido Clarice Lispector, não queria nunca ter se identificado com tamanha miúdeza de personagem. Ela queria por um fim na vida do que se tornar um personagem tão pequeno, tão nada. No fundo, morria nela o desejo de ser uma mulher da vida, vadia e dona de si, uma mulher que lambia as beiradas dos homens, e que dava para eles suas próprias feridas. E na sua frente, Josivaldo. Por menos de um centavo e um pensamento, ela se entregava. Tão ferozmente, como um bicho no cio, ela não beijava, ela dava a ele sua vida e morte. E ele, retribuía.

Homem quando apaixona das duas uma, ou casa ou foge, e Josivaldo, que por hábito da crença maldita, preferiu fugir. Tirou de Marina a glória de seus dias e noites.

Marina, vodka ou outra, encontra com Josivaldo, o perdeu da lista telefônica, mas o vê sempre em algum boteco perto de casa. E quando ele não está jogando sinuca com os amigos, ou trepando com outra mulher, menos bonita, ou mais gostosa, ou, ou... ele vai ao encontro de Marina. A seqüestra da sarjeta, e lambe suas feridas, em sua língua o gosto das parafinas, na língua dela o desejo da cicuta servida a esmo. Marina jura sempre que aquela é a ultima vez. Mas pensa que dá próxima bem que ela podia passar no sex shop e surpreender Josivaldo às quatro da tarde de uma segunda feira.

 

Imagem: Aaron Hawkes

  • criado por  lust_for_life criado por lust_for_life
  • Postado em 15:23:11