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E a guerra diária dos sexos continua. O triste é quando a gente tem que conquistar todo o território do tabuleiro, ou quando temos que destruír metade. Éjogo perdido na certa.
Aqui mais uma conversa virtual, polêmica e sem nenhum intuito esclarecedor. Mas instrui hein.
Amigo... diz:
Ai ela começou a dizer umas coisas tipo...
Amigo... diz:
Eu quero que vc seja muito feliz...
Amigo diz:
De verdade... eu quero que vc seja muito feliz, e tal...
Amigo... diz:
ai eu falei: Meu para de falar isso. QUe merda!
Amigo... diz:
Ela conitnuou..
Amigo...diz:
ai eu:
Amigo... diz:
Garota vai tomar no cú!
Rafaella. diz:
eu aprendo tanto com meus amigos
Amigo...diz:
MAs é foda...
Rafaella. diz:
logico q eh
Rafaella. diz:
mas olha
Rafaella. diz:
xuxu dando em muro
Rafaella. diz:
e mulher carente
Rafaella. diz:
é o que mais tem
Rafaella. diz:
de tres
Rafaella. diz:
duas sao
Rafaella. diz:
agora pensa nas suas probabilidades futuras
Amigo..diz:
Tipo, eu não queria fazer isso... foi bom pra eu aprender que isso é uma chatice. TIpo.. eu nunca faria isso de
Amigo... diz:
fazer joguinho.
Amigo diz:
Agora então... menos ainda.
Rafaella. diz:
nossa
Rafaella. diz:
mas isso nao foi joguinho
Rafaella. diz:
de tipo par ou impar
Rafaella. diz:
foi quase um War
Rafaella. diz:
que a gente fica horas em cima do tabuleiro
Rafaella. diz:
pra no fim acertar o tabuleiro na parede
Rafaella. diz:
hiauhiahiuahauhiah
Amigo... diz:
foi um jogo de war muito doido que alguem pgou os dados e jogou no meio do tabuleiro
Amigo diz... diz:
voando peças para todos os lados!
Amigo diz:
kkkkkkkk
Rafaella. diz:
é foi. exatamente isso...
A conversa postada foi grande porque vcs sabem né? Muitos pinos no tabuleiro, muitos jogadores, e uma falta de sorte desgraçada.
Elena tinha manias estranhas. De todas era a mais fechada. Se fechava em seu quarto e aguardava o juízo final. Por trás dos óculos de grau a euforia. Gostava de guardar as meias por ordem de cor, um ritmo que só ela sabia. Ninguém mexia nos seus cds, nem nas suas fotografias. Não saía do banheiro sem antes acender e apagar a luz duas vezes. Guardava em segredo manias mais hostis. Tinha taras obsessivas também.
Gostava de homens com cicatrizes. Se tinha cicatriz de lábio leporino então, Elena ía as nuvens. Não se concentrava bem no sexo enquanto não terminava de procurar no corpo dele qualquer vestígio de cicatriz.
Elena não era de muitos amigos, mas gostava de reunir sua turma para um copo de vinho toda primeira quinta feira do mês. Não acreditava em terapia. E quem sou para não acreditar em Elena.
Elena conheceu Marina em uma de suas idas raras ao teatro. Detestava quem mascasse chiclete perto dela, e Marina realmente perturbou Elena com aquilo. E foi aquele o primeiro encontro de uma amizade de sangue. Saíram algumas vezes, Marina às vezes não suportava a melancolia de Elena, e vice e versa. Se afastavam vez ou outra, da maneira como se afasta de um espelho quando se vê uma espinha no nariz.
Elena gostava de escutar Marina com suas histórias verossímeis e sem nenhum apelo intelectual. Marina fazia Elena viajar por lugares quando Marina os citava, via os filmes que vinham da cabeça e mente de Marina.
Elena só não gostava de escutar sobre Josivaldo. Marina destruía o dia de Elena quando ela vinha com aquelas historias hediondas e pervertidas.
Sim, as duas se amavam. De uma amizade de berço, de fofocas contadas as três da manha, de cafés para escutar os dramas rotineiros. Tinham pactos de não ter homens em comum. Os xingava vez ou outra.
Na cabeça das duas pensamentos secretos. Não, não. Gostavam demais de homem para isso. E o buraco, como sempre, é mais embaixo.
Imagem: Jason Jenkins
O André, é um dos meus amigos mais proféticos, como um mestre dos magos de Campinas, ele some e vezes ou outra ele aparece, só para soltar as verdades da vida, e ele solta hein. Isso foi eu contado sobre minhas ultimas aquisiçoes amorosas.
André Vilela diz:
Hauhauha
André Vilela diz:
Para-raio de maluco
André Vilela diz:
Abre uma igreja que você fica rica
André Vilela diz:
Maluco adora seita
HAHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHHAHAHAH
Vamo pro inferno comigo, Dé??

Marina aprendeu cedo sobre as sacanagens da vida. Tinha onze anos quando brincou de salada mista com os amiguinhos e aprendeu o quão cruel as mulheres podem ser perante aos homens em comum a elas. Anne Sue gostava de Netinho, sempre oferecia o ultimo pedaço de sorvete de chocolate para ele, Marina também gostava de Netinho, mas não sabia nem tomar o sorvete perto dele. Netinho estava mais interessado em brincar de comandos em ação. Mas adorava a salada mista. E Marina levou sua primeira lição. Homens não são confiáveis, e mulheres são cruéis.
E no uni duni tê salamê minguê a escolhida foi Marina. Nessa, Netinho cedeu a vez para o amigo, que não contou nada para Marina, aonde Anne Sue não fez questão nenhuma de avisar a pobre que iria levar um beijo de quem não queria, nem suportava. E foi assim.
O primeiro beijo ninguém esquece. E Marina, depois de saladas mistas em que frutas serviam para bem mais coisas do que dar sentido a música da brincadeira cresceu com tendências passivo-agressivas, encontrou conforto nas noites mal dormidas, no sexo libertino, nutriu um enorme prazer em dar e receber a dor.
E foi de porteira em porteira que ela encontrou seu algoz. Como uma ovelha a ser contada, mais uma para o rebanho. Ela viu nele seu salvador. Josivaldo. Técnico de TV a Cabo. Um homem comum, grande, tinha orgulho de sua profissão. Amava o que fazia, encontrava muitas pessoas interessantes no seu caminho. Sabia das dores do mundo, e contribuía com elas. Gostava muito de mulher, não tinha muitas ambições em encontrar a mulher certa, pra ele, viver na liberdade da ignorância era a resposta divina para todos os seus pecados, viver e sofrer era se redimir de todo ato falho que cometia ou que poderia vir a cometer.
Encontrou a paz em Marina. Nela ele não precisava pensar, não precisava tolerar o mundo. O aceitava da maneira que ele chegava, iluminava. Marina nunca enxergou nenhum clarão na vida. Viveu de tropeços e rasteiras. Preferiu nunca ter lido Clarice Lispector, não queria nunca ter se identificado com tamanha miúdeza de personagem. Ela queria por um fim na vida do que se tornar um personagem tão pequeno, tão nada. No fundo, morria nela o desejo de ser uma mulher da vida, vadia e dona de si, uma mulher que lambia as beiradas dos homens, e que dava para eles suas próprias feridas. E na sua frente, Josivaldo. Por menos de um centavo e um pensamento, ela se entregava. Tão ferozmente, como um bicho no cio, ela não beijava, ela dava a ele sua vida e morte. E ele, retribuía.
Homem quando apaixona das duas uma, ou casa ou foge, e Josivaldo, que por hábito da crença maldita, preferiu fugir. Tirou de Marina a glória de seus dias e noites.
Marina, vodka ou outra, encontra com Josivaldo, o perdeu da lista telefônica, mas o vê sempre em algum boteco perto de casa. E quando ele não está jogando sinuca com os amigos, ou trepando com outra mulher, menos bonita, ou mais gostosa, ou, ou... ele vai ao encontro de Marina. A seqüestra da sarjeta, e lambe suas feridas, em sua língua o gosto das parafinas, na língua dela o desejo da cicuta servida a esmo. Marina jura sempre que aquela é a ultima vez. Mas pensa que dá próxima bem que ela podia passar no sex shop e surpreender Josivaldo às quatro da tarde de uma segunda feira.
Imagem: Aaron Hawkes