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		    <title type="text/plain" mode="xml">Terezinha mudou de endere;o</title>
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		    <published>05.08.08 19:05:49</published> 
		    <content type="text/xhtml" mode="escaped" xml:lang="pt-BR">Que perda da dignidade!!! meu teclado nao tem cedilha nem acento, desculpa ae...
Ah, Terezinha nao escreve mais aqui, ela ta de casa nova. Realidade nao menos anormal ou visceral. 
http://euhemorragia.blogspot.com.br
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		    <title type="text/plain" mode="xml">O tiro que sai pela culatra</title>
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		    <updated>04.08.08 03:15:50</updated>
		    <published>27.06.08 12:02:57</published> 
		    <content type="text/xhtml" mode="escaped" xml:lang="pt-BR">Fa&#231;o desse um rascunho, um rabisco, nao uso o Word para requentar essas palavras, vai tudo assim mesmo, de uma vez s&#243;, r&#225;pido, quase indolor, um tiro a queima roupa. Namorada despede do namorado no portao e leva consigo dez perguntas sem respostas e um dia &#34;em que tudo &#233; poesia&#34;. Pontua&#231;oes, v&#237;rgulas, pouco uso dos acentos. Tudo numa frase atirada no papel sem esperan&#231;a de volta ao dicion&#225;rio. Grandes sonhos paridos, uns abortados. O que adianta a concentra&#231;ao se nao existe o ru&#237;do? Um beijo, um jazz, aquela frase espetacular de um filme meia boca. Igual a brincadeira do saco dos poetas dada&#237;stas, vale quanto pesam as palavras, vale o concreto, a tentativa do caos, o ser quase, qualquer coisa que valha. Esse vai para desenganar o cerebro da tentativa de parir qualquer coisa que preste, j&#225; me persegue a pluma, e eu correndo, e a pluma atr&#225;s de mim, ah esse ru&#237;do, essa estranheza, essa troca de palavras em v&#227;o. Essa leveza que nem eu entendo, que quase nao suporto, que bem que podia durar, pra que esse seja esse suspiro, essa pequeneza, esse &#250;nico tiro, que sempre volta contra mim, que sempre me faz passar a limpo. Nao. Dessa vez &#233; isso aqui mesmo. Uma &#250;ltima tentativa, e esse eu-l&#237;rico desfigurado lutando para ser alguma coisa que o valha. E um ponto que nao signifique exatamente um ponto. </content>
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		    <title type="text/plain" mode="xml">Catarina e a c&#225;psula do tempo.</title>
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		    <updated>31.05.08 14:52:03</updated>
		    <published>16.05.08 14:26:24</published> 
		    <content type="text/xhtml" mode="escaped" xml:lang="pt-BR">Catarina gostava de abrir antigas cartas de amor, gostava de soprar a poeira das fotografias, espirrava e enchia os olhos de &#225;gua. Revisitava seu passado como se revisita um livro. Lia tudo como se fosse a primeira vez. Trazia as asas que nunca ecoaram t&#227;o longe. Andava pelos corredores da casa e contava decep&#231;&#245;es. Uma a uma. Fazia isso como as crian&#231;as fazem com as conchas que acham na praia.
Catarina vivia os dias &#237;mpares, para os pares a tristeza estava reservada. Vivia desacompanhada e bem vestida. Adorava fazer supermercado, estrear aquela receita de fricass&#234; que sua m&#227;e tinha lhe ensinado. Lia em poesia dos outros a sua pr&#243;pria. Para os dias de tristeza, preparava ch&#225; de camomila, um bom drama americano e len&#231;os de papel. Mas ai de quem visse nela uma criatura jogada as tra&#231;as, oca, infeliz. N&#227;o. Ela dizia: &#34;A resposta da felicidade est&#225; em conviver com a dor oposta a ela&#34;. E isso ela sabia, ela tratava da pr&#243;pria dor. Catarina era feliz. Ela e suas mem&#243;rias.
Catarina era livre. Viajava pra Europa, trazia lembrancinhas para os amigos, conhecia pessoas e colocava mais um tanto de tempo em caixas. E o guardava para mais tarde. Vivia para alimentar o passado, nao via mal nisso nem nas m&#225;s interpreta&#231;oes dos cl&#225;ssicos. Para ela, Capitu tinha sim tra&#237;do Bentinho. E nao se importava do contr&#225;rio. Era uma rom&#226;ntica. Queria manter relacionamentos a dist&#226;ncia, mas eles nao conseguiam. Por ela trocaria cartas a vida inteira. Aquelas de amor, tuberculose e bo&#234;mia.
At&#233; que um dia Catarina topou o presente, ele vinha com flores e caixas de chocolate. E ele vinha pra ficar em sua cama, no seu banheiro, trazia tambem algumas caixas pra pendurar com as dela. Ele batia &#224; porta. 
Catarina negou tudo, fechou a porta na cara dele, abriu a caixa do ano de 1999 e l&#225; ficou, por muito tempo... Era um dia par, aquele. Catarina foi feliz.
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		    <title type="text/plain" mode="xml">o chap&#233;u c&#244;co</title>
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		    <updated>15.05.08 16:29:39</updated>
		    <published>15.05.08 15:34:03</published> 
		    <content type="text/xhtml" mode="escaped" xml:lang="pt-BR">&#160;

O que te atrai? Qual o sinal que faz voc&#234; perceber que algu&#233;m est&#225; parado, a espera, com espelhos sob o teto? O que te comove? Como saber que voc&#234; foi o melhor para algu&#233;m, como saber que voc&#234; errou, perdoou, se desfez, se reconstruiu, catou os cacos e viu sua imagem de novo no peda&#231;o do refletor? O que te comove? O que te faz ir embora sempre? O que te faz voltar sempre? O que voc&#234; gostaria que acontecesse nos pr&#243;ximos cinco minutos? O quanto voc&#234; j&#225; leu desse livro? As tais vinte p&#225;ginas? O quanto voc&#234; precisa para me reconhecer de novo? Voc&#234; precisa do diamante de mil faces no meu olhar, das borboletas no est&#244;mago? Voc&#234; sabe... diamantes s&#227;o pra sempre, as borboletas morrem, mas deixam o porvir, o que seria delas se n&#227;o fosse sua pr&#243;pria met&#225;fora de transforma&#231;&#227;o e novidade? Ent&#227;o, meu querido, elas ainda est&#227;o aqui. A impress&#227;o, o espelho, entre a jornada e a data de validade. Qual o conforto dos seus dias? Qual o cora&#231;&#227;o que voc&#234; quer na sua cama? Apenas o seu? Voc&#234; precisa do que mais? De mais um blefe? De mais uma hist&#243;ria mal educada para nos perturbar o sono, ou a hora do jantar? Voc&#234; precisa do caos? O que te atrai? O que te comove? O leve ou o pesado? A meia debaixo da cama escondendo o momento de insanidade? O chap&#233;u c&#244;co seduzindo o momento de espera? Quanto voc&#234; quer pagar? Quanto voc&#234; vai colher? Qual o final que te interessa? Voc&#234; quer quais palavras nessa hora? &#8220;Estou muito feliz&#8221;? Ou &#8220;the end&#8221;? Qual te aproxima da chegada? O eterno retorno? 
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Imagem por: Helena [Frazey]</content>
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		    <title type="text/plain" mode="xml">Selinho time.</title>
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		    <updated>12.05.08 14:45:19</updated>
		    <published>12.05.08 13:47:03</published> 
		    <content type="text/xhtml" mode="escaped" xml:lang="pt-BR">N&#227;o existe argumento, ou declara&#231;&#227;o registrada que possa explicar porque acontece. Mas isso n&#227;o tem relev&#226;ncia nenhuma, j&#225; que o que intriga mesmo &#233; a rea&#231;&#227;o do p&#250;blico envolvido. S&#227;o meninas prendadas, sabem das coisas da vida, esperam casar de v&#233;u e grinalda, esperam, esperam, esperam... Mas na hora do vamos ver, n&#227;o sobra pra ningu&#233;m, &#233; uma debru&#231;ando no ombro da outra, caindo juntas, comprando lingeries juntas. Acontece que para essas meninas, o inesperado pode acontecer. E acontece na maioria das vezes. &#201; o cafajeste em s&#233;rie, daqueles do sop&#227;o de centro esp&#237;rita. Se colocar uns tr&#234;s envolvidos, depois que amolece a gente n&#227;o sabe quem &#233; quem. Tem o amigo que vira mais que amigo, e a gente decide se vai ou se fica. Tem os que fazem o caminho contr&#225;rio a esse, e que a gente pode sempre desabafar, trocar fofocas. Tem aquele de sempre, e uns tantos pra trocar olhares. Mas as meninas est&#227;o sempre l&#225;. A espreita, na ciranda da noite, no desprendimento do dia, com telefonemas, caf&#233; as 16, sorvete aos domingos. Ningu&#233;m sabe o porqu&#234;. Mas no fim da noite s&#227;o elas que precisam do cuidado dos desinibidos, ou s&#227;o elas que botam todos pra correr, e ficam despeda&#231;adas um do lado da outra. Naquele momento em que todo mundo fica mudo, pasmo, e a gente sela mais um fragmento de n&#243;s, a gente paga pra ver, a gente blefa, a gente sela... mais uma proposta de ilus&#227;o catada no escuro. E h&#225; controv&#233;rsias... </content>
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